Entenda os números

Como o Outras Vias mede o preço da soja — e por que a bolsa CEPEA fica de fora

Preço ao produtor, preço mínimo (PGPM), paridade de exportação e o indicador de bolsa: o que é cada número e qual usar.

Quando alguém pergunta “quanto está a soja hoje”, a resposta honesta é: depende de qual preço você quer. Existem pelo menos quatro números diferentes, cada um medindo uma coisa. O Outras Vias mostra três deles, sempre com a fonte e a data. Este texto explica o que é cada um.

1. Preço ao produtor (o “spot” que a gente usa como destaque)

É o preço médio efetivamente recebido pelo produtor pela saca de 60 kg, por estado, mês a mês. Vem da pesquisa de Preços de Mercado da CONAB, que coleta cotações em mais de 100 produtos há décadas. É o número que aparece em primeiro lugar nas páginas de preço do site, porque é o que mais se aproxima do “quanto vale a saca na praça”.

Duas ressalvas: é uma média mensal (não o preço de hoje) e varia de praça para praça dentro do mesmo estado, por causa do frete até o porto e do ágio ou deságio de cada região.

2. Preço mínimo (PGPM)

É o piso garantido pelo governo, definido por portaria a cada safra, dentro da Política de Garantia de Preços Mínimos. Se o preço de mercado cair abaixo dele, existem instrumentos (como o PEP e o contrato de opção) para sustentar a renda do produtor. Na prática, o preço de mercado da soja quase sempre fica bem acima do mínimo — mas o piso é a rede de segurança, e por isso mostramos os dois lado a lado.

3. Preço internacional e paridade de exportação

A soja brasileira é uma commodity de exportação, então o preço interno acompanha o mercado externo. Usamos a cotação internacional do grão em dólares por tonelada (do Banco Mundial, planilha Pink Sheet) e o dólar do Banco Central para calcular a paridade de exportação: quanto daria a saca aqui se o produtor vendesse na base do preço lá fora, antes de frete e do ágio da praça. É uma referência de teto, não o preço real.

4. Preço de bolsa (CEPEA/Esalq) — por que fica de fora

O indicador mais citado no mercado é o CEPEA/Esalq, calculado pela USP. Ele tem licença fechada: a Esalq comercializa o direito de uso. Como o Outras Vias é um compilado aberto, não redistribuímos esse número. Em vez dele, entregamos o preço ao produtor da CONAB (estatística pública) e a paridade de exportação — que, juntos, dão uma boa ideia da faixa de preço.

Como usar tudo isso

Para saber se o momento de vender é bom, olhe o preço ao produtor do seu estado, compare com o custo de produção da região (veja o texto sobre custo e margem) e cheque se a paridade de exportação está acima ou abaixo do preço local. Se a paridade está bem acima, tende a haver espaço para o preço interno subir.

Fontes: CONAB (Preços de Mercado e PGPM), Banco Central do Brasil (dólar), Banco Mundial (Commodity Markets / Pink Sheet). Todos os números do site trazem o período de referência e a data da última coleta.