Dono de haras confirma compra de vacina com falsa enfermeira em MG

O dono de um haras localizado na região metropolitana de Belo Horizonte confirmou à Polícia Federal, nesta terça-feira (6), que comprou as supostas vacinas contra a covid-19 da falsa enfermeira de Belo Horizonte.

Durante o depoimento, Marcelo Martins Araújo disse que teria comentado sobre a negociação com o empresário Rômulo Lessa, apontado como organizador da vacinação irregular em uma empresa de ônibus da capital mineira.

As informações foram confirmadas pelo advogado Juliano Brasileiro, que defende Araújo. Segundo o defensor, o cliente pensou estar comprando imunizantes da Pfizer. A empresa afirma que só vende os produtos para o poder público. A polícia ainda investiga se as doses eram verdadeiras.

Ainda de acordo com Brasileiro, o cliente “nega ter feito qualquer indicação sobre a qualidade e idoneidade da Sra. Cláudia ou das supostas vacinas por ela aplicadas”, se referindo a Cláudia Mônica Pinheiro Torres de Freitas, a cuidadora de idosos que se passou por enfermeira.

Araújo, que afirma ter sido na condição de “vítima/testemunha”, também diz que não tem “qualquer outra participação nos fatos objetos do inquérito”.

Um vídeo usado nas investigações, divulgado pela Rádio Itatiaia, mostra a Cláudia indo ao prédio de luxo onde Marcelo Martins Araújo mora, no bairro Gutierrez, na região Oeste de BH.

A polícia ainda não confirmou quantas pessoas teriam sido vacinadas pela cuidadora de idosos, mas há relatos de atendimentos em outros bairros nobres da capital mineira, como o Belvedere. Seria cobrados R$ 600 pelas duas doses.

Clésio Andrade, ex-senador e ex-vice-governador de Minas Gerais, também deveria ter prestado depoimento hoje, mas ele não compareceu, alegando ter entrado em isolamento social após contato com uma pessoa infectada pelo coronavírus. A PF vai marcar uma nova data.

No mês passado Clésio Andrade havia dito à revista Piauí que teria recebido a vacina gratuitamete na garagem na capital mineira. Questionado pela reportagem, ele negou as informações. No entanto, após novo questionamento, disse que esteve na empresa de ônibus para levar parentes que teriam sido imunizados.

Uma terceira pessoa, que não teve a identidade divulgada, também foi ouvida. A reportagem tenta contato com os citados.

Fonte noticias.r7.com/saude