Senado analisará texto que torna aulas presenciais como essenciais 

O Senado Federal analisará nos próximos dias projeto de lei, aprovado na Câmara dos Deputados na madrugada desta quarta-feira (21) após sete horas de votação, que torna a educação básica e superior serviços essenciais, aqueles que não podem ser interrompidos durante a pandemia de covid-19.

Na prática, caso a matéria seja aprovada também pelo Senado, governadores e prefeitos não poderão mais determinar o fechamento dos estabelecimentos de ensino. Os líderes partidários irão se reunir na manhã desta quinta-feira (22), e o assunto pode ser abordado no encontro.

A proposta dispõe sobre o reconhecimento da educação básica e superior, nas redes privada e pública, em formato presencial, como serviços e atividades essenciais.

Pelo texto, fica vedada a suspensão das atividades educacionais, salvo situações em que as condições sanitárias não permitirem, em critérios técnicos e científicos devidamente comprovados. Nesse caso, a decisão é dada por ato de governador ou prefeito.

A relatora do texto, deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP), acatou uma emenda do PCdoB, que dispõe sobre protocolo para o retorno escolar. O projeto define parâmetros de infraestrutura sanitária e disponibilização de equipamentos de higienização e proteção, incluindo máscaras, álcool em gel 70%, água e sabão, nos momentos de recreio, de alimentação e no transporte escolar.

Fonte noticias.r7.com/saude

Doença gengival facilita entrada do coronavírus no sangue, diz estudo

O coronavírus causador da covid-19 pode ter uma vantagem em indivíduos com acúmulo de placa dentária ou gengivite, aponta um estudo publicado, na terça-feira (20), no Jornal de Medicina Oral e Pesquisa Odontológica.

Uma equipe de pesquisadores do Reino Unido, África do Sul e Estados Unidos descobriu que altas concentrações do coronavírus se movem da saliva para os pulmões de pessoas com doenças gengivais.

Segundo o artigo, os vasos sanguíneos dos pulmões, ao invés das vias aéreas, são afetados inicialmente na covid-19, com altas concentrações do vírus na saliva e periodontite associadas a um risco aumentado de morte.

Movendo-se dos vasos sanguíneos nas gengivas, o vírus passaria pelas veias do pescoço e do tórax, alcançando o coração antes de ser bombeado para as artérias pulmonares e pequenos vasos na base e periferia do pulmão.

Um dos pesquisadores, o médico radiologista Graham Lloyd-Jones, analisou tomografias computadorizadas de pacientes com covid-19, enquanto dentistas da equipe fizeram a relação entre a saúde bucal deles e a gravidade da doença. 

O coautor do estudo Iain Chapple, professor de periodontologia da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, explica que os resultados ajudam a compreender por que algumas pessoas desenvolvem doença pulmonar durante a covid-19 e outras não.

“Também pode mudar a maneira como gerenciamos o vírus — explorando tratamentos baratos ou mesmo gratuitos direcionados à boca e, em última instância, salvando vidas.”

Chapple acrescenta que a escovação e uso de enxaguantes bucais são fundamentais mesmo para quem não está com covid-19.

“As doenças gengivais deixam as gengivas mais vazadas, permitindo que os micro-organismos entrem no sangue. Medidas simples — como escovação cuidadosa e escovação interdental para reduzir o acúmulo de placa bacteriana, juntamente com enxaguatórios bucais específicos ou mesmo enxágue com água salgada para reduzir a inflamação gengival — podem ajudar a diminuir a concentração do vírus na saliva e ajudam a mitigar o desenvolvimento de doenças pulmonares, além de reduzir o risco de evolução para covid-19 grave.”

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Com 98% de adesão, Projeto S inicia análise de resultados na segunda

Encerrada a vacinação em massa contra a covid-19 em Serrana (SP), no último dia 11, o Projeto S se aproxima agora da próxima etapa do programa: a análise dos resultados. Os primeiros dados serão revelados em maio.

A iniciativa do Instituto Butantan estuda a eficiência da CoronaVac na diminuição das taxas de transmissão novo coronavírus.

Na avaliação dos cientistas que se debruçam no estudo, a fase de imunização obteve sucesso no município. A adesão do público-alvo alcançou 97,9% ou 27.150 pessoas em uma população de 45.644 habitantes.

Outro dado visto com bons olhos pelos especialistas do projeto foi o número de mortes. Desde fevereiro, no início da pesquisa, houve 20 óbitos por covid-19 na cidade.

Destes, 14 foram pessoas que não tomaram a vacina. Das seis restantes, cinco tomaram somente a primeira dose. A única pessoa que foi imunizada duas vezes apresentou sintomas dois dias após a última aplicação, o que indica que foi infectada antes da vacinação.

À reportagem do R7, Ricardo Palacios, diretor-médico de pesquisa clínica do Butantan e um dos idealizadores do estudo, e Pedro Garibaldi, hematologista e coordenador médico do estudo, avaliaram a etapa da vacinação na cidade e explicaram os próximos passos para a pesquisa.

Garibaldi comenta que antes do início da imunização, após questionários feitos pelas equipes de pesquisa em Serrana, a expectativa de adesão era de 85% do público. Diante das fake news a respeito da CoronaVac e do que avalia como “desacordo entre poderes”, prossegue ele, os pesquisadores não esperavam um resultado tão alto na adesão à vacina.

“Mudamos de patamar: das dúvidas das pessoas sobre a eficácia da vacina para um momento que a população quer se proteger e proteger a família. Esse desacordo de poderes não aconteceu aqui: o discurso era o mesmo da prefeitura, da secretaria estadual e do Butantan”, afirma o coordenador do estudo.

Palacios também relembra mensagens negativas sobre a vacina, inclusive de autoridades, e diz que bons resultados em um estudo desse porte dependem essencialmente do envolvimento da comunidade. “Falamos com lideranças da cidade, comunitárias ou de outros âmbitos, para estimular a vacinação. Esse trabalho permitiu que a população se informasse, se apropriasse do projeto e, assim, se garantiu o sucesso do estudo”, diz o médico colombiano.

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Para ele, o projeto também serve para que a população compreenda que pode participar ativamente de avanços científicos no país. “Independentemente do estrato econômico ou de educação, todos podem participar. Sem o apoio da comunidade, não alcançaríamos qualquer resultado no projeto”, assegura Palacios.

Uma vez concluídas as medidas que envolvem intervenções junto à população, a próxima etapa será descobrir se a imunização em massa de fato atingiu o objetivo mais importante do projeto: reduzir a transmissibilidade do vírus no município.

A fim de que o estudo obtenha resultados mais robustos, os cientistas aguardam o início da próxima semana para começar a análise dos resultados da vacinação em massa. Isto porque o último grupo da cidade foi vacinado em 11 de abril e,  para a pessoa imunizada gerar anticorpos contra o novo coronavírus, leva ao menos duas semanas.

Os coordenadores consideram que até o meio de maio os dados iniciais do estudo já devem ser divulgados.

Para uma resposta positiva, os primeiros indicadores, que também são uma meta do estudo, devem ser a redução de mortes por covid-19 e internações em leitos de UTI pela doença, apontam os especialistas.

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“Vamos acompanhar as internações e mortes por covid, que devem ter uma tendência decrescente importante assim que os imunizados tiverem anticorpos. Casos leves não são uma preocupação. Fazemos analogia com a vacina de influenza: não estamos focados em eliminar casos leves, o que queremos é evitar que adoeçam gravemente ou morram”, afirma Ricardo Palacios.

Além do baixo número de mortes recentes pelo vírus, das quais nenhuma atribuída à CoronaVac, os pesquisadores também apontam que não houve qualquer fato grave ao longo dos dois meses de imunização. “Fomos rigorosos com a vacinação das 27 mil pessoas, e assim não houve relato de qualquer inconveniente relevante”, diz Palacios.

Para além da vacinação e da análise de resultados, outro processo importante que começou no ano passado e não será interrompido é o monitoramento na cidade. Os cientistas do Projeto S farão vigilância por mais um ano da população vacinada e não vacinada, sobretudo com casos de morte e internação em decorrência do novo coronavírus.

“A análise dos dados é o mais importante nesse momento, mas ela vem de um projeto de vigilância que vai continuar. Aprimorada, ativa, com coleta de PCR… e isso continua. A parte da vacinação acaba, mas o estrutural para que os dados sejam organizados seguirá acontecendo”, diz Pedro Garibaldi.

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Governo de SP promete mais 1,2 mi de doses da CoronaVac em maio

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), garantiu nesta quarta-feira (21) que o estado deverá antecipar em um mês — e com sobra da produção prevista inicialmente — o compromisso firmado com o Ministério da Saúde de disponibilizar 46 milhões de doses da CoronaVac ao PNI (Plano Nacional de Imunização) até setembro deste ano. A marca deverá ser atingida com a entrega de mais 1,2 milhão de doses no próximo dia 3 de maio.

O Instituto Butantan, responsável pela produção da vacina, em parceira com o laboratório chinês Sinovac, deverá entregar um novo lote com 5 milhões de doses do imunizante contra o novo coronavírus que já estão sendo processadas a partir de um carregamento de três mil litros IFA (Ingrediente Farmacêutico Ativo), recebido na semana passada — totalizando 10 milhões de doses.

“Vamos para 47,2 milhões de doses da vacina do Butantan, superando o compromisso inicial, que era de 46 milhões de doses. Vamos chegar a 100 milhões de doses até o final do mês de agosto, considerando que estamos antecipando em 30 dias a entrega das vacinas. Obviamente, dependemos ainda da chegada dos lotes de IFAs que virão da China. Esperamos não haver nenhum problema de ordem diplomática, alfandegária ou de trajetória logística para que esses insumos cheguem em tempo”, projetou Doria.

O governador revelou também que na próxima sexta-feira (23) o infectologista Dimas Covas, presidente do Butantan, deverá finalizar o protocolo junto à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para assegurar a liberação das três fases de testagem da ButanVac, vacina brasileira que tem a cooperação do Instituto Médico Monte Sinai de Nova York.

“É o vírus inativo, extraído a partir de ovos, porque dali vem a vacina contra a gripe. É o mesmo princípio. Por isso, há agilidade no processo de testagem e também na sequência de protocolos da Anvisa, porque há um histórico de três décadas do Butantan na produção de vacinas com essa mesma matriz”, acrescentou João Doria.

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Covid deixa expectativa de vida do Brasil igual a 2013, aponta estudo

Resumindo a Notícia

A gravidade da pandemia da covid-19 pode significar ao Brasil a primeira queda da expectativa de vida da população desde 1940. Conforme pesquisa de Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, os brasileiros nascidos em 2020 têm a esperança de viver quase dois anos a menos, em média.

Com isso, a geração deve viver até os 74,8 anos. Em 2019, esse índice foi de 76,6, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). 

Os pesquisadores, liderados pela demógrafa brasileira Márcia Castro, concluíram que as condições sanitárias durante a pandemia podem levar o Brasil ao retrocesso de sete anos. Uma vez que em 2013, pela pesquisa do IBGE, a esperança de vida era 74,9 anos.

A situação fica ainda mais grave, quando são analisadas as regiões brasileiras separadamente. O Distrito Federal é o lugar mais afetado, com uma redução estimada de 3,68 anos. 

Os estados da região Norte aparecem logo em seguida. Segundo a pesquisa, o Amapá pode ter a pior condição com uma redução de 3,62 anos; seguido por Roraima, 3,43; e do Amazonas, 3,28.   

O Nordeste é a segunda região mais atingida. Sergipe lidera e estimativa é de decréscimo da expectativa de vida: 2,21 anos; Ceará, recuo de 2,09; e Pernambuco, queda de 2,01.

O Espírito Santo é o estado mais afetado no Sudeste. A perda estimada entre os capixabas é de 3,01 anos. Rio de Janeiro é o segundo, com queda de 2,62, e São Paulo, o terceiro e a redução chega a 2,17.

Na região Sul, a pesquisa apontou que a perda de expectativa de vida deve ficar abaixo dos dois anos no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

Os pesquisadores verificaram que a esperança de vida entre os idosos, com mais de 65 anos, também deve cair, em uma média de 1,58 ano, o que leva o Brasil de volta aos níveis de 2009. 

O estudo, que ainda precisa ser analisado por outros cientistas, alerta que essa queda pode ser ainda maior, já que os números mortes por covid podem estar subnotificados.

“O número real de mortes tende a ser maior devido à vigilância deficiente, testes limitados que impediram o diagnóstico adequado, problemas com o cumprimento dos protocolos de notificação de uma suspeita de morte por covid-19 e local da morte”, afirmaram os pesquisadores no estudo publicado no MedRxiv, site da Universidade de Yale com pré-publicação de artigos científicos sobre ciências da saúde.

O ensaio explica que a diminuição da expectativa de vida é comum diante de grandes choques, como pandemia e guerras. Mas, a tendência é que os números melhorem rapidamente.

Porém, no caso do Brasil, os pesquisadores não acreditam que a retomada do crescimento será rápida e apontam cinco razões para essa conclusão.

A primeira delas é que, um ano após o começo da pandemia, o Brasil vive a pior fase, com recordes de novos infectados, número de óbitos e lotação de hospitais. Em contrapartida, o programa de imunização segue lento.

Outro motivo apresentado é a interrupção dos serviços de atenção primária para atender ás necessidades da covid, o que comprometeu o rastreamento e diagnósticos do câncer, a imunização infantil, os tratamentos e diagnósticos da tuberculose e do HIV. Tudo isso pode aumentar a mortalidade brasileira nos próximos cinco anos. 

A terceira razão são as sequelas da covid-19, o que não afeta só o Brasil. Os pesquisadores lembram que ainda não existem estudos que mostrem se elas afetarão ou não a expectativa de vida da população mundial.

A crise econômica do Brasil desde 2015 e a redução de investimentos na saúde foram as outras razões apontadas pela pesquisa.

Para chegar a essa conclusão os cientistas analisaram em conjunto dados do IBGE, dos boletins epidemiológicos das 27 Secretarias Estaduais de Saúde desde o começo da pandemia e do SIVEP-Gripe (Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe).

Os cientistas de Harvard acreditam que o crescimento do número de casos e mortes com a covid devem manter a expectativa de vida em queda também em 2021.

“Depois que mais de 195 mil vidas foram relatadas como perdidas, em 2020 para a covid-19, nenhuma mudança significativa aconteceu em 2021. Muitos países aceleraram a cobertura de vacinação e testemunham declínios em casos e mortes. O Brasil se move na direção oposta. As consequências, infelizmente e inaceitavelmente, continuarão a ser medidas em vidas humanas perdidas, e as consequências demográficas futuras podem ser ainda piores do que as relatadas”, alertaram.

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Entregador de pizza na pandemia, Esquiva Falcão admite dificuldade

Esquiva Falcão é medalhista olímpico e possui uma carreira invicta no boxe profissional, com 28 vitórias consecutivas, sendo 20 delas por nocaute. Isso, porém, não livra o boxeador de lutar contra dificuldades financeiras.

No início de abril, uma postagem do atleta chamou atenção nas redes sociais, com ele anunciando que, para ajudar o restaurante de mini pizzas administrada por sua mulher, no Espírito Santo, ele seria o entregador. Rapidamente a foto viralizou, com muitos se questionando se Esquiva estava realmente passando necessidades.

A verdade é que sim. Até mesmo um atleta com uma carreira de sucesso, medalha de prata nos Jogos Olímpicos Londres 2012, não possui estrutura para desenvolver a sua carreira. Ainda mais em um momento de pandemia.

“Minha esposa criou a empresa de mini pizzas e eu sou o entregador. E quando eu divulguei, isso emocionou muitas pessoas nas redes sociais. Foi uma história de superação, de garra. Durante a pandemia, muita gente que estava acostumado a fazer uma coisa, não podia mais fazer. Aconteceu exatamente isso comigo. Eu passei a vida toda dentro do boxe. E tive que me reinventar. E precisei disso para completar a renda, já que eu estou sem luta. Começaram a aparecer dívidas e eu percebi que meu dinheiro não ia dar”, explicou o boxeador, em entrevista ao R7.

Esquiva detalhou que o coronavírus atrapalhou bastante a sua carreira, com ele ficando praticamente um ano parado: “Eu ia fazer uma luta na China valendo o cinturão e, como a pandemia começou lá, foi cancelada. Então eu fiquei o ano inteiro no Brasil e fiz apenas duas lutas, contra adversários mais fracos, que nem estavam ranqueados. Eu não tenho um salário. Vivo da bolsa das lutas. Se eu luto, ganho um valor, que tenho que ir administrando durante meses para poder pagar minhas dívidas. E, se eu não lutar, não recebo nada.”

Aos 31 anos e sonhando com o cinturão mundial de boxe entre os médios, Esquiva tem as lutas nas “veias”. Isso tudo graças a seu pai, Touro Moreno: “Eu venho de uma família que a luta está no sangue. Meu pai lutou MMA, vale-tudo. Meu irmão Yamaguchi também é medalhista olímpico. Tenho também um sobrindo que está disputando o Mundial de Boxe. É uma família de campeões. E isso é tudo graças ao meu pai. Hoje ele tem 83 anos, mas continua competindo.”

E se atualmente ele não pode fazer o que mais gosta, ao menos a visibilidade das redes sociais o ajudou a conseguir algum tipo de apoio.

“A campanha emocionou muita gente, até mesmo quem não era fã. E muita gente não acreditava. Um medalhista olímpico entregando pizza. Isso atraiu parceiros. Eu consegui uma parceria com a Honda, que me deu uma moto para poder entregar as pizzas, para facilitar o meu trabalho. Chegou também até o Lucas, que é filho do Luciano, dono da Havan. Eu fechei um patrocínio bom, que vai me ajudar a focar nos treinamentos, vai ajudar as mini pizzas da minha esposa, vai ajudar a gente contratar outro motoboy para ajudar nas entregas. O Brasil inteiro quer o cinturão, então como não apoiar o atleta a conquistá-lo? Não é só falar. Tem que apoiar”, ressaltou o vice-campeão olímpico.

Apesar de comemorar o patrocínio, Esquiva sabe que a carreira no boxe não será para sempre e acredita que o empreendimento da esposa pode render um bom futuro para a família: “Eu não vou parar, vou continuar ajudando. Quando encerrar a carreira no boxe, posso trabalhar na pizzaria da minha esposa. Já é um plano para o futuro”, garantiu ele, antes de mandar um recado: “E para quem quiser mini pizza, é só pedir que eu vou pessoalmente entregar.”

A prata que vale ouro
Esquiva foi um dos grandes nomes do Brasil nas Olimpíadas de 2012. Ao longo da campanha, ele derrotou Soltan Migitinov, do Azerbaijão, Zoltán Harcsa, da Hungria, Anthony Ogogo, da Grã-Bretanha e, na final, foi derrotado pelo japonês Ryoto Murata em uma decisão bastante polêmica.

O brasileiro perdeu por apenas um ponto devido a uma punição no último round, que o tirou dois pontos. Terminou com a medalha de prata, o melhor resultado de um brasileiro no boxe olímpico em todos os tempos, até Robson Conceição conquistar o ouro olímpico na Rio 2016.

O que para muitos poderia ser motivo para reclamação, para Esquiva é um orgulho. “Isso não tira mais meu sono. E engraçado que há males que vem para o bem. Eu ganhei a medalha de prata, que pode ter sido roubada, com muita polêmica, mas em qualquer lugar que eu vou, as pessoas lembram. Todo mundo fala que eu merecia o ouro. Então, talvez se eu tivesse conquistado o ouro, as pessoas não lembrariam. Para mim, a medalha que eu tenho vale ouro. E para mim representa muito.”

Filho de Adriano Imperador é o novo contratado da base do Grêmio

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Casos de covid-19 têm impotência sexual como sequela, diz estudo

Resumindo a Notícia

Estudo da Universidade de Roma, divulgado em março último, aponta a disfunção erétil (impotência sexual) como uma das possíveis sequelas da covid-19. Cem indivíduos foram incluídos na análise (25 positivos para covid-19 e 75 negativos). A prevalência de disfunção erétil foi de 28% no grupo cujos resultados foram positivos para covid-19, contra 9,33% do grupo cujos resultados foram negativos.

Veja também: Estudo liga a covid-19 a doenças mentais e neurológicas

O urologista Fernando Nestor Facio Jr., membro da Sociedade Brasileira de Urologia, em São Paulo, confirma que esse tipo de caso tem se repetido em seus atendimentos.

“Tenho alguns pacientes que tiveram covid-19 de forma grave, ficaram intubados, permaneceram de 10 a 15 dias na UTI e hoje retornam com o critério de cura muito assustados, com muito medo e principalmente a função erétil debilitada”, conta.

O especialista acrescenta que alterações hormonais, entre outras, também podem causar a disfunção erétil.

“É comum fazer a avaliação hormonal desses pacientes e em alguns deles parece que a baixa de testosterona também é uma contribuição para essa perda de massa muscular, todo o comprometimento feito pelo vírus também poderia estar comprometendo também a parte do libido. Tenho sim tido esses pacientes”, ressalta.

Segundo o estudo, a disfunção endotelial (alteração da camada que reveste os vasos sanguíneos) tem sido considerada como o potencial gatilho para o aparecimento de formas mais graves de covid-19, bem como a ligação entre diferentes comorbidades associadas à doença.

“Na verdade, a covid-19 é por todos os meios uma doença endotelial, na qual as manifestações sistêmicas da doença podem ser potencialmente decorrentes de isquemia tecidual (diminuição da passagem do sangue) resultante de alterações no equilíbrio trombótico e fibrinolítico endotelial (que evita coágulos)”, ressalta um trecho do trabalho.

O estudo ressalta, ainda, que até mesmo casos de covid-19 assintomáticos podem desencadear problemas de ereção no futuro, em função do comprometimento vascular.

O urologista Carlos Alberto Ricetto Sacomani, doutor em Urologia pela USP (Universidade de São Paulo), explica que o resultado do estudo demonstra que a covid-19 causa esse acometimento vascular generalizado, chamado acometimento endotelial dos vasos sanguíneos.

“Isso pode estar relacionado com essa disfunção erétil, já que a ereção é um fenômeno puramente vascular, caracterizado pela chegada de sangue pela artéria cavernosa, no corpo cavernoso e ocorrendo com isso a ereção. O estudo mostrou essa influência. O tempo que isso dura não pôde ser avaliado, então não sabemos ainda se é temporário, definitivo, se há sequelas da performance sexual a longo prazo”, observa.

Segundo o estudo, a gravidade e a prevalência de disfunção erétil em casos de covid-19 são maiores entre homens que sofrem de hipertensão, obesidade, diabetes e histórico de doença cardiovascular. E aqueles que já sofrem de disfunção erétil também podem estar incluídos nos grupos de risco quando contaminados pelo coronavírus.

“Os mesmos pacientes que têm covid-19 mais grave muitas vezes têm outras comorbidades, como obesidade, dislipidemia (fatores que favorecem a arterioesclerose), alteração cardíaca que também estão relacionadas com ereção. Eventualmente, o agravamento destas doenças pode também agravar o quadro do covid-19” diz Sacomani.

Aos 44 anos, Leonardo S. (nome fictício) é um dos que estão passando por dificuldades sexuais como sequela da covid-19. Dinâmico, como empresário no ramo de cozinha industrial, ele frequentava eventos ligados ao setor, estando sempre atualizado em relação às novidades.

Até que veio a pandemia. Leonardo teve de reduzir as atividades, como a maioria da população. Entrou na quarentena, inclusive porque seu filho mais velho, de 12 anos, é asmático e seguiu com disciplina os protocolos.

Na única “bobeada”, como ele diz, acabou sendo contagiado pelo coronavírus, em um festival gastronômico. Foi quando se iniciou o maior drama de sua vida.

“Imagino que foi naquele evento (em fevereiro último). Não havia ventilação e o local era fechado. Foi meu único vacilo. Estava há mais de um ano seguindo à risca e, de repente, acreditei que não iria haver problema. Acabei sendo hospitalizado, indo para a UTI e ficando 9 dias intubado. No total, fiquei 26 dias no hospital”, conta.

Passado o sufoco, ao sair do hospital, em 19 de março último, ele entrou naquela situação que se tornou quase um lema daqueles que se deparam com a doença: pensar em um dia de cada vez.

E, além da falta de ar intensa, perda da massa muscular, lentidão de movimentos, Leonardo sentiu uma forte dor no testículo direito, assim como dor nas pernas e articulações. As dificuldades em sua vida sexual vieram em seguida.

“Quando voltei para casa, demorou cerca de 15 dias para tentar ter a primeira relação sexual. Como o pulmão estava muito frágil, não queria forçar, desviar o sangue para a região peniana. Foi muito difícil. Até hoje sinto muita dificuldade nos movimentos. Levanto da cama, tenho de parar. Ando um pouco, paro de novo. Subo uma escada, paro para puxar o ar. Ter relações sexuais agora é extremamente complicado. Fico exausto. Dá medo, a falta de ar é pesada. Chega a dar desespero”, diz ele, que já se livrou do cilindro de oxigênio, mas realiza fisioterapia diária, pulmonar e muscular, tendo voltado ao trabalho, mas em ritmo mais lento.

Na opinião de Facio Jr., essas dificuldades na relação sexual, que podem surgir no pós-covid-19, têm como causa a própria característica sistêmica da doença.

“Há um comprometimento viral que ataca por completo várias áreas vitais do organismo: pulmão, musculatura, coração, rins. Isso debilita por demais o paciente. O comprometimento endotelial, a falta de oxigenação, tudo isso dificulta a recuperação de algo que, embora não seja totalmente vital, é importante. Mas primeiro o paciente precisa recuperar a musculatura, a respiração triangular, voltar para a vida, para depois tratar de reconstituir a função sexual”, afirma.

O urologista Sacomani acrescenta que situações como a vivida por Leonardo têm no fator psicológico um componente importante.

“Há também a questão do impacto psicológico. Pacientes com covid-19 mais grave que ficaram internados, intubados em UTI, podem enfrentar um período de ansiedade, depressão e alterações da saúde mental que podem impactar na performance e função sexuais”, completa.

Sete acontecimentos que marcaram um ano de pandemia no país

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Secretaria da Saúde de Mogi tem 50 suspeitos de furar fila da vacina

Um grupo funcionários da Secretaria Municipal da Saúde de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, é investigado pelo MP-SP (Ministério Público de São Paulo) e pela Polícia Civil por suspeita de furar a fila da vacinação contra a covid-19 no município. Segundo a denúncia, aproximadamente 50 pessoas estariam envolvidas na imunização indevida, entre concursados e estagiários.

O promotor de justiça da Saúde Fernando Lupo Pascoal afirmou que a suspeita foi descoberta em uma investigação que já resultou na exoneração do titular da pasta, Henrique Naufel, determinada pela prefeitura mogiana na semana passada também por furar a fila da imunização — durante um ato público.

“Fiz diligência na secretaria da saúde e constatei que todos os funcionários, mais ou menos 50 pessoas, haviam sido vacinadas. Inclusive uma estagiária de direito, de 21 anos. Eram pessoas que estavam trabalhando de forma administrativa, burocrática, não diretamente com a covid-19. A situação dele [ex-secretário] ficou agravada. Tivemos outra reunião com o prefeito, que decidiu exonerá-lo”, revelou.

Segundo o promotor Fernando Lupo Pascoal, apesar de o ex-secretário se tratar de um médico bastante conceituado na cidade, não havia condições técnicas e morais para mantê-lo no cargo — pela idade, 61 anos, Naufel deveria ser imunizado em cerca de duas semanas.

“Foi um choque para a sociedade. Mas não havia como sustentar.  Isso prejudicou o enfrentamento da covid-19 [na cidade]. A presença dele à frente da secretaria não estava sendo adequada”, completou.

O MP-SP havia solicitado um prazo de 30 dias para que o prefeito Marcus Melo (PSDB) providenciasse a troca do secretário. Houve um pedido de prorrogação por mais 15 dias e, neste período, a exoneração foi confirmada”.

“[O secretário] foi a primeira ou segunda pessoa da cidade a ser vacinada. Ele não estava no hall do alvos prioritários, não trabalhava diretamente [com os infectados]. Ele foi a uma solenidade. Tornou-se público. Ele entendia que estava enquadrado no conceito [de grupo prioritário] por visitar hospitais. Mas, no nosso conceito, ele não estava enquadrado. Isso foi objeto de investigação. Ele sustentou que fosse linha de frente”, frisou o promotor.

As apurações sobre possíveis casos de improbidade administrativa foram divididas entre as Promotorias da Saúde Pública e do Patrimônio Público e Social da cidade.

“Quando um funcionário público comete um ato como esse, pode estar enquadrado na lei da improbidade. Se for particular, não estaria incurso na lei. Precisamos ver se agiram com dolo, culpa grave ou culpa leve. Vai ser apurada individualmente [a conduta] de todos”, explicou o promotor Fernando Lupo Pascoal.

Já a Delegacia Seccional de Mogi das Cruzes vai investigar todas as circunstâncias relativas aos fatos por meio de um inquérito policial instaurado na última segunda-feira (19). “As diligências estão em andamento”, confirmou a SSP-SP (Secretaria de Estado da Segurança Pública de São Paulo) por meio de nota.

Atualmente, a secretaria da saúde do município de Mogi das Cruzes é comandada interinamente pela secretária-adjunta e integrantes de uma comissão formada por funcionários das pastas de Governo, Gabinete e Finanças.

De acordo com uma nota encaminhada ao R7 pela prefeitura, as tratativas para a escolha de um novo nome para assumir a pasta continuam em andamento. O anúncio deve ser feito nos próximos dias.

A gestão municipal informou também que, neste momento, a comissão está focada no combate à covid-19 e conduz todos os trabalhos para isso, sem deixar de lado os outros serviços já prestados pela pasta. Segundo a prefeitura, não há prejuízo no atendimento à população.

Além disso, está sendo feito um levantamento das informações da pasta para subsidiar o novo titular. Os dados estarão disponíveis ao Ministério Público, caso sejam solicitados e a Prefeitura está disponível para prestar quaisquer esclarecimentos que sejam necessários.

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PF faz operação contra desvio de recursos para tratar covid em SP

A Polícia Federal realiza, nesta terça-feira (20), uma operação para investigar desvios de recursos públicos na área da saúde nos municípios de Hortolândia, Embu das Artes e Itapecerica da Serra, no interior de São Paulo.

A investigação teve origem após a Controladoria Geral da União (CGU) identificar a contratação de uma Organização Social (OS) sem capacidade técnica por esses municípios com indícios de fraude e direcionamento para prestação de serviços de saúde. De acordo com a polícia, os contratos somados chegam a R$ 100 milhões. Alguns teriam sido firmados de maneira emergencial para gestão e atendimento de pessoas infectadas com covid-19.

A polícia apurou que essa OS está em nome de um veterinário de 28 anos, recém-formado, morador de Presidente Bernardes, no interior de São Paulo, cidade localizada a mais de 400 quilômetros dos locais em que os contratos foram realizados.

Após as contratações pelos municípios, de acordo com a polícia, a OS subcontratava a execução dos serviços para diversas empresas associadas, algumas constituídas poucos meses antes, também sem experiência na área de saúde.

Algumas dessas subcontratadas, após os repasses de recursos pela OS, efetuaram centenas de saques em espécie que somam mais de dezoito milhões de reais, realizados de maneira fracionada para burlar o controle contra lavagem de dinheiro do sistema financeiro nacional. O transporte do dinheiro era feito sob a escolta armada de um guarda civil municipal, que também era sócio de uma das empresas subcontratadas.

Os crimes apurados são de peculato, fraude à licitação, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Ao todo foram cumpridos 38 mandados de busca e apreensão e 5 mandados de prisão temporária expedidos pela 2ª Vara Criminal Federal de São Paulo, por ordem do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3).

Também foi decretado o bloqueio de valores e imóveis dos investigados e a apreensão de veículos, incluindo carros esportivos de luxo. Os mandados foram cumpridos nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

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